XI Cavalgada – Do Fim Do Mundo 2010

XI Cavalgada – Do Fim Do Mundo
Ocorreu em El Calafate – 4 dias e Ushuaia – 1dia

Seguem algumas imagens:

 

Cavaleiros

Alencar:

 

Antônio:

 

Antônio:

 

Aquiles:

 

Caé:

 

Coveiro:

 

Dinho:

 

Elton Saldanha:

 

Fabian:

 

Helder:

 

João:

 

Maurício Junqueira:

 

Moraes:

 

Natal:

 

Nico:

 

Osório:

 

Pedrinho:

 

Rodi:

 

Sole:

 

Toco:

 

Zé Acir:

 

CAVALEIROS DA PAZ NO FIM DO MUNDO

Por Maurício Junqueira – Cavaleiro da Paz
Fevereiro de 2010
beneficio@beneficio.com.br

Ao completar duas décadas a Confraria dos Cavaleiros da Paz seguiu para mais uma cavalgada. Desta vez o destino era a Patagônia, com três dias em El Calafate e um dia no Ushuaia. O objetivo era percorrer uma das poucas regiões deste chão sul-americano que onde ainda não haviam alcançado.
Assim, a Tierra del Fuego, no Fim do Mundo tornou-se um referencial importante para marcar o início de uma nova geração de cavaleiros.

Este foi o roteiro escolhido para comemorar os 20 anos da Confraria que começou com a cavalgada de Alegrete a Assunção, no Paraguai em 1990, depois seguiram rompendo fronteiras, como em 1993, quando cruzaram a América para cavalgar do oceano Atlântico ao Pacífico, percorrendo 2900km. Estivemos Uruguai, Bolívia, Argentina, fomos ao Pantanal, a Bahia e até em Portugal, sempre refazendo os caminhos que nossos antepassados trilharam em época de guerra, para levar uma mensagem de paz, irmanando os povos vizinhos a patas de cavalo. A Cavalgada no Fim do Mundo foi realizada pelos seguintes cavaleiros: presidente Elton Saldanha, Nico Fagundes, Rodi Borghetti, Caé Braga, José Castro, Pedro Magalhães, Rodi Borghetti, Natal Seadi, Aquiles Pes, João Porto, Luís Osório, João Osório, José Moraes, Maurício Junqueira, Antônio Junqueira, Ismael Solé, Eduardo Fleck, Régis Bruck, Fátima Bruck, Helder Menezes, Fabian Fortes, Alencar Feijó e Zé Acir, além do apoio do profissional Eduardo Rocha, responsável pelos registros que farão parte da exposição fotográfica mostrando os 20 anos de história dos Cavaleiros da Paz.

Iniciamos no dia 13 de fevereiro, saindo da fazenda Lago Roca em direção a Paso La Rosada e Paso Zamora, limite fronterizo com Chile. Pegamos um pouco de neve e apos duas horas de cavalgada já era possível contemplar magníficas paisagens, com o Glacial Perito Moreno ao lado norte e o lago argentino ao lado sul.

Costumamos dizer que os imprevistos são as coisas mais certas que ocorrem nestas situações e conosco não foi diferente. Ficamos sem almoço e enfrentamos terrenos muito difíceis e montamos em cavalos e encilhas que não eram os nossos, encilhados com colchões que nos serviriam de cama, porém, prejudicavam o aperto e ajustes dos arreios. Motivo de alguns dos incidentes pelo caminho. O cavaleiro José Roberto Moraes, comentou: “-Como Cavaleiros da Paz estamos acostumados a cavalgar nas piores condições difíceis, mas não lembro enfrentamos lugares tão ínvios sem nenhum apoio, estrutura de suporte, ou contato qualquer, para caso de emergência. Foi uma aventura num dos lugares mais lindos do mundo, que graças a Deus não tivemos maiores imprevistos.”

Somente as nove e trinta da noite, ainda dia na Cordilheira, chegamos a um rancho(carpa), a cerca de um quilometro da fronteira com o Chile, construído entre as montanhas, onde quatro peões nos aguardavam com churrasco de ovelhas assadas, para matar nossa fome.
O dia seguinte começamos a subir mais alto nas Cordilheiras e encontramos partes cobertas e neve e uma paisagem incrível, com vista para as cordilheiras chilenas. A beleza do dia permitiu avistar as Torres Del Pane, um espetáculo a parte. Fizemos carreiras na neve e voltamos a ser crianças no gelo.

Ao retornarmos, aconteceram os maiores imprevistos. A travessia pelo meio da floresta patagônica reservava situações difíceis. Por sorte os animais são acostumados, pois o terreno é repleto de galhos e árvores caídas, alem de banhados muito perigosos.
Podemos citar dois momentos de muita apreensão, primeiramente ao atravessarmos um largo lamaçal, o cavalo do amigo Ismael Sole virou e por sorte ficou imóvel, dando tempo para o cavaleiro de afastar do perigo eminente. Na sequencia o cavalo do pequeno Antonio, de 11 anos, atolou-se por completo. Os animais aqui são muito maiores que os nossos, pesando cerca de 500 a 600kg, possivelmente resultado dos nossos conhecidos cavalos crioulos com percheron, ou bretão. Esta situação nos causou um atraso de mais de 4 horas para que conseguíssemos salvar o animal, pois o lugar era muito difícil, inclusive para prestar socorro ao cavalo. O risco do animal quebrar uma mão era grande e neste caso teríamos que sacrificá-lo.
No terceiro e último dia o imprevisto ficou por conta da fuga de alguns cavalos. Encilhamos os animais que restaram para os cavaleiros mais veteranos voltarem e ficamos com os demais, aguardando cerca de cinco horas os peões locais camperear os cavalos fujões. Conseguiram resgatar parte da cavalhada, suficiente para que pudéssemos retornar, porem sem os animais de carga, para trazerem nossos mantimentos. Para o cavaleiro Rodi Pedro Borghetti a experiência ficara sempre na memória de todos que participaram:

“(…)Assim como nas cavalgadas anteriores, que ja totalizaram nada menos que 15mil km percorrido, passamos diversas dificuldades, mas sem dúvida estes percausos aconteceram face ao tipo de terreno percorrido totalmente diferente daquele que já fizemos a patas de cavalo. Mais uma vez ficou confirmado que estreitando amizade entre os homens e aperfeiçoando a relação de afinidade com seus cavalos, é o segredo que faz com que possamos enfrentar aventuras com tamanho grau de dificuldade e acreditar na continuidade da nossa historia(…)”.
A cavalgada no Ushuaia era parte de uma missão muito emblemática aos cavaleiros. Partimos do Centro Hípico Fueguino e iniciamos a subida das cordilheiras, com ventos muito fortes e cortantes, resultado da nevasca da noite anterior. Cruzamos pontes rudimentares, rios e bosques até alcançarmos o topo da montanha e avistarmos a cidade de Ushuaia, que apesar do tempo nublado, fomos contemplados com a beleza das montanhas que pareciam prateadas, como se fossem holofotes a iluminar a cidade. A beira do Canal de Beagle, tendo por cenário as Cordilheiras da Argentina a frente e as do Chile logo atrás, o fundador e comandante da Confraria Nico Fagundes, disse:
“Os Cavaleiros da Paz, rompedores de fronteiras, cavalgam sempre em busca do sol. O sol se põe atrás das cordilhas, razão pela qual esta é a segunda vez que violamos a áspera intimidade dos Andes. Passamos por caminhos ínvios que desafiavam a nossa experiência de cavaleiros internacionais. Não havíamos ainda enfrentado desafios iguais nestes vinte anos, porém, a alegria que domina a cada um de nós quando estamos montados, fez com que todos obstáculos fossem superados. Considero que a grande cavalgada em El Calafate e esta menor de hoje foram os desafios mais importantes que enfrentamos. É muito gratificando e nos enche o peito de orgulho ver que mais uma vez vencemos!” Em seguida procedeu a cerimônia de “armamento”(batismo) nomeando aqueles aspirantes que conquistaram por seus próprios méritos a condição necessária para receberem o título de Cavaleiros da Paz. Foram eles: Caé Braga(48), Helder Menezes(51) , Maurício Junqueira(38), Pedro Magalhães(37), Fabian Fortes(30), Aquiles Pes(63) e Antônio Junqueira(11), como o primeiro Cavaleiro da Paz piá. Na ocasião também foram apresentados como aspirantes a Cavaleiros, Eduardo Fleck, Natal Seadi, João Porto, João Osório e José Giordani, este último, juiz de direito do Rio de Janeiro que veio cavalgar conosco. Na cerimônia de batismo o presidente da confraria Elton Saldanha, destacou:”O processo de renovação segue a tendência natural da vida. Este novo grupo de cavaleiros herda a missão de seguir encilhando os cavalos crioulos, desfraldando alto a nossa bandeira e irmanando os povos a patas de cavalo.”
Sobre um clima de forte emoção, cantamos a música dos Cavaleiros da Paz e o hino do Rio Grande do Sul. Ao retornarmos, passando próximo ao povoado, éramos aplaudidos por argentinos que viam nossos cavaleiros levando consigo a bandeira brasileira e da Argentina, como símbolo de respeito e de amizade. Voltamos com a certeza que continuaremos seguindo o rastro do sol, com a Tribo do Pé no Estribo.

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